Um treino com dor


Não, a dor hoje não foi em função dos treinos do final de semana, não foi por alguma contusão, afinal fisicamente me sinto muito bem. Na realidade sair da cama no dia de hoje já foi dolorido. Não tem como esquecer tão cedo essa tragédia ocorrida em Santa Maria neste final de semana. Nadei pensando no tanto de vítimas, no sofrimento de tantas famílias, ontem, hoje, amanhã e sempre. Tantos jovens que perderam a vida quando ainda a tinham praticamente inteira pela frente. Tantos pais que perderam a maior alegria de suas vidas, seus filhos. Por mais que saibamos que mortes desnecessárias ocorrem mundo afora dia e noite, infelizmente nos acostumamos com isso. Quando uma tragédia dessas ocorre assim tão perto de nós parece que somos forçados a abrir os olhos. Levamos um tapa na cara e saímos dessa zona de conforto na qual jamais deveríamos ter entrado. 

Uma frase sobre a guerra de Christian Boltanski ilustra uma situação como essa:

"Numa guerra não se matam milhares de pessoas. Mata-se alguém que adora espaguete, outro que é gay, outro que tem uma namorada. Uma acumulação de pequenas memórias..."

Não foram 234 241 mortos. Foram famílias, memórias, histórias, tudo interrompido em uma madrugada por motivos tão estúpidos. Não precisaria, não deveria, não poderia ter ocorrido. 

A semana começa com muita dor. Dor por essas vítimas, suas famílias e amigos. Dor por todos nós, afinal somos humanos assim como estes que que já não estão mais conosco.


Comentários

  1. Milton, é difícil mesmo uma situação dessas.
    Uma vez a cada dois anos, passamos por um teste de sobrevivência para simular situações de fogo nos aviões, não é fácil, é só um simulado e tem gente que entra em desespero num labirinto todo pintado de preto e cheio de fumaça de eucalipto, que arde os olhos impedindo de deixá-los abertos ou respirar, imagino o que eles não passaram lá, passei os dias pensando na dor deles também.

    Sobre o blog, é legal relatar tudo que passamos para nos tornar um Ironman e o crescimento pessoal que ele trás depois de chegar no final da prova. Aprendemos uns com os outros, dividimos relatos, emoções, conhecimentos e medalhas.
    Bem vindo a esse mundo louco do triathlon.

    Abraço

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    1. Valeu Fábio, é isso mesmo. Já me sinto aprendendo a cada dia que passa com os treinos do Ironman. Quanto aos testes que vocês se submetem, não é algo para mim, sinceramente. Admiro quem faz isso.
      Abraço.

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