Com a boca bem aberta e falando de um outro assunto (um total "off-topic")

Recentemente conversando com alguns amigos acabamos entrando no meu "histórico esportivo" desde os tempos de corrida até esse ano de 2013, que teve o Ironman, a segunda maratona de SC e que está findando com o Dash Triathlon. Conversa vai conversa vem entrou no papo o ano de 2010, ano que tive que ficar uma boa parte dos meses sem qualquer atividade física por conta da cirurgia que fiz. Eu citei a cirurgia na minha breve história aqui no blog. 



Até tinha feito um blog sobre essa cirurgia, pois tal qual esse aqui, os blogs sobre o assunto na época me proporcionaram muitas informações úteis e achei por bem colocar o meu ponto de vista e (talvez) ajudar quem fosse passar pela mesma situação. Entretanto já faz alguns anos que parei de atualizar, desde que tive 100% de alta. 

Mesmo não tendo nada a ver com o assunto do blog, ao relembrar esse ano "fatídico", resolvi escrever um pouco sobre essa cirurgia. Vai que algum amigo atleta passa (ou tem familiar passando) por situação similar. Como esse blog é o que mantenho atualizado fica aqui registrado. Também não deixou de ser uma grande prova de resistência (e paciência) que passei. 

A cirurgia a qual me submeti chama-se Cirurgia Ortognática, ela é uma cirurgia feita por cirurgião buco-maxilo-facial, que pode ser médico ou dentista. No meu caso o (grande) profissional que realizou a operação foi o Dr. Laurindo Moacir Sassi, dentista que atende em Curitiba e tem uma vasta experiência no ramo. Houve um bom período de tratamento prévio (e posterior) ortodôntico com a ortodontista Dra. Imara Morosini, profissional que inclusive acompanhou a cirurgia no hospital e também recomendo de olhos fechados. Além disso contei com a ajuda de minha outra dentista - Erika Reichenbach - que tratou de limpar a "mobília" tanto no pré como no pós (eca!!) cirurgia. Imaginem a situação com trinta e dois dias tendo que depender majoritariamente da eficiência de um Periogard. 

A cirurgia foi feita no dia 28/07/2010 no Hospital Pilar em Curitiba. Foram 5hs sob anestesia geral tendo a cara desmontada e montada novamente. Houve uma movimentação de 6mm da maxila para cima e 7,5mm da mandíbula para frente. Seis placas e vinte e quatro parafusos, somados às habilidades do cirurgião, foram responsáveis por segurar tudo no lugar novamente. Ao sair da cirurgia a cara logo tratou de virar uma bola de basquete deformada de tão inchada, vou popá-los de me ver no estado que fiquei.

Nessas horas vejo que minha esposa merece um troféu e todos os prêmios do mundo, afinal foram tantas as vezes que segurou maior onda comigo (marido inventando cirurgia, Ironman, maratona, etc.). Ela foi decisiva na tomada de decisão e, principalmente, no pós operatório em que tive que ficar trinta e dois dias com a boca literalmente amarrada (com metal e borrachas) como dá para ver na foto abaixo. 



Existem duas formas de se manter a fixação no pós operatório. Esta, mais rígida, e uma outra só com elásticos em que o paciente pode abrir a boca. Meu cirurgião utiliza esse método rígido, pois acha mais eficiente e com menos riscos. As duas primeiras noites foram bastante complicadas e com certeza as piores. Muita dificuldade para respirar e, claro, o trauma era ainda muito recente. Na época recém havíamos nos mudado para nossa casa em Curitiba e ela logo ficou cheia de gente (mãe, sogros, avó, primo, tia). 

Foi mais de um mês tomando Nescau, Sustagen, sopas (minha esposa teve que rebolar para dar conta de inventar coisas diferentes para mim, mas ela deu), sucos, etc. No final desse período, e com 11kg a menos, eu só queria uma comida sólida, poder mastigar algo. Aqui mais um crédigo para minha esposa que me fez um "regime de engorda" de 10Kg antes da cirurgia. Nada como poder ir nas melhores churrascarias e restaurantes de Curitiba livremente em qualquer dia da semana. Após esse período só de líquidos vieram algumas comidas pastosas e depois, aos poucos, a boca foi ganhando amplitude na abertura com a grande ajuda da fonoaudióloga Cristiane Gomes Andrade, que me atendeu tanto antes como após a cirurgia.

Posso dizer sem sombra de dúvidas que essa foi outra "prova de endurance" que consegui vencer com a ajuda de pessoas muito importantes da minha vida. Meu grande amigo e parceiro de Ironman, o Kelvin, toda vez que entrávamos nesse assunto me dizia: "Piá, eu no teu lugar NUNCA faria isso que tu fez, pode me chamar de medroso". :-)

Fiquei praticamente seis meses sem poder correr, desde o período pré-operatório até a nova liberação por parte do cirurgião. Se nadasse na época até poderia ter voltado antes para a natação, pois a restrição era o impacto.

Um ponto engraçado da minha cara remendada. Minha esposa brincava comigo que no Ironman (especialmente essa prova, pois a largada da natação é complexa com 2000 e poucos atletas disputando o mar numa pequena faixa de praia) eu deveria ir com uma placa colada na touca: "Mantenha distância, sou operado e remendado na cara". :-D

Na sequência o meu "eu interior" pós placas de titânio, os moldes do antes e depois, além de uma animação mostrando como a cirurgia é simples. :-P









Para quem tiver ainda mais curiosidade (eu estava curioso e assisti antes de fazer a minha) tem também dois vídeos com pequenos trechos de cirurgias como a que fiz. Os vídeos são só para quem é realmente curioso e quem não se impressiona com imagens fortes. Eu tinha curiosidade em assistir.

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Quando voltei a correr no final daquele ano recomecei da estaca zero e daí para frente todo mundo já sabe. Foi quando comecei a levar o esporte mais a sério na minha vida (2011 - atualmente). 

Pronto... falei de outro assunto, esta é mais uma parte da minha história. Já posso voltar ao triathlon no próximo post. :-)

Comentários

  1. Pelo visto a cirurgia te fez bem rs. Acho que as placas não são de titânio, colocaram escondido de carbono pra poder ficar mais leve e voar na rua :)
    É bom falar de outras coisas assim podemos te conhecer melhor.

    Abraço

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    1. Kkkkk... placa de carbono foi boa! Com certeza a cirurgia me fez bem Fábio. Brabo mesmo foi ficar sem atividade física por tanto tempo lá na época. Mas de resto só fez bem...
      A ideia era essa mesmo, mudar o assunto um pouco.
      Abraço!

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  2. Rapaz, coragem hein ? Isso aí volverine !!! HAHAHA. Parabéns duplos.

    A braços

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  3. Só de pensar meu deu agonia, Milton! Que processo complicado hein?
    Beijo,
    Dani.

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    1. KKk... a gente sobrevive (e supera), colega! Mas que é complicado é. :-)
      Bjs

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  4. essa cirurgia é horrível!!! a recuperação deve ser extremamente difícil!! Já tinha espiado o outro blog e fiquei curiosa mesmo!
    Legal comentar aqui, afinal tudo faz parte da nossa formação e sem dúvida esse período de recuperação deve ter te ensinado alguma coisa.
    Bons treinos
    Ju

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    1. Pois é Ju... eu, como sempre faço, me preparei para o pior mas mesmo assim o pós é complicado mesmo, especialmente os primeiros dias.
      Com certeza esse período me ensinou bastante e é como tu falou, faz parte da minha formação.
      Valeu, bons treinos para ti também.
      Bjs

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