De 2013 para 2015. Um salto no tempo e na qualidade.

Como vocês já sabem, fiz meu primeiro e único Ironman em 2013 em Floripa. Prova fantástica, experiência incrível, tudo muito legal. Na época eu tinha praticamente um ano de triathlon com três provas no "currículo", dois shorts e um olímpico. Apesar de pouca experiência no esporte (ou talvez justamente por causa disso), procurei fazer tudo certinho como meu treinador sempre pediu. Cumpri cada treino proposto. Tentei chegar bem preparado na prova e fazer exatamente o que combinamos antes. 

Uma prova como o Ironman merece todo o respeito do mundo. Temos realmente que respeitar cada Km, cada dificuldade, cada treino. Eu fiz isso e acho que sempre farei. Mas ainda assim, fui bem conservador durante a prova. Fiz transições demoradas, troquei de roupa, pedalei num ritmo "leve", corri num ritmo quase que constante, levei quilos de comida e assim garanti que chegaria bem no final, conhecendo cada detalhe da prova, tentando não quebrar e não me frustrar por não chegar do jeito que gostaria. Fiquei com aquela sensação de que talvez pudesse ter forçado um pouco mais aqui ou ali. Ainda assim preferi a garantia de chegar.

De 2013 para 2015 algumas coisas mudaram. Em mim, nos treinos, nos equipamentos, enfim. 

Naquela época fiz praticamente todos os meus treinos de ciclismo da semana em uma bike de spinning que tinha (tenho) em casa, hoje tenho pedalado terças-feiras na estrada (mais ou menos 40Km) e feito os treinos intervalados de quinta-feira no rolo. Aliás, o rolo adquiri não muito tempo depois do Ironman e notei uma grande evolução com ele, por mais chato que ele seja. E ele é! 

Em 2013 nunca tinha feito uma prova longa de triathlon. Não sabia como o corpo se comportava depois de 4 ou 5 horas levando bordoada de tudo que é lado. Tinha muito medo do que poderia sentir depois de muitas horas competindo. Atualmente tenho, além do Iron, mais outras três provas em distância de meio Ironman (Dash Triathlon, Ironman 70.3 Brasília e Challenge Triathlon), ou seja, já entendo um pouco mais meu corpo e seus sinais depois de horas sofrendo.

Noto também que meus treinos estão diferentes. Com o tempo e o conhecimento que o técnico vai tendo sobre seu atleta muitas coisas podem ir melhorando. Ele vai sabendo melhor o nosso limite, a nossa força de vontade, a nossa maneira de entender cada treino. Vejo que hoje treino com mais qualidade, sou mais obediente e na mesma proporção meu treinador confia nos resultados dos meus treinos. 

Acima de tudo, chego em 2015 um pouco mais experiente nesse esporte. Com um pouco mais de autoconhecimento, especialmente no que diz respeito a provas longas e junto com isso com alguns equipamentos melhores. Isso nunca foi minha prioridade, pois acredito que já tenho o básico e o principal vem das minhas pernas e braços, porém ao longo desse ano de 2014 e início de 2015 pude ir melhorando algumas coisas também nesta parte. 

Acho que hoje em dia eu nado melhor, pedalo melhor, corro melhor e, acima de tudo, nadopedalocorro melhor que naquela época. Isso quer dizer que vou fazer uma prova melhor? Não necessariamente, pois as provas longas podem ser imprevisíveis e estão sujeitas a muitos fatores externos. De qualquler maneira condições eu tenho e é isso que tenho buscado em cada treino. 

Nos treinos, aliás, eu costumo fazer uma coisa muito minha e que sempre fiz em qualquer área da minha vida. Observo MUITO. Visualizo as qualidades de cada um que está próximo de mim e tento me espelhar nisso. Se tem um amigo que nada bem, observo bastante na piscina, tento repetir movimentos, pergunto, etc. Se um colega pedala bem fico observando sua cadência, alimentação, seu movimento dos pés, do corpo, etc. Quando vejo um grande corredor observo muito os movimentos das pernas, os calcanhares, a respiração e tudo mais que posso. Converso com cada um, pergunto sobre eles para meu treinador. Acima de tudo admiro e procuro tirar das qualidades dessas pessoas algumas lições para mim. Nunca tive vergonha de me posicionar mais atrás para procurar aprender com os que estão mais na frente, falando em sentido literal e figurado. Isso de maneira nenhuma me faz sentir menor. Faz sim eu querer melhorar para chegar mais próximo deles. 

Em resumo, me vejo como um triatleta melhor e mais maduro em 2015 e acho que tudo é fruto de uma grande vontade de aprender junto com uma grande vontade de treinar. Porque as provas são sempre a hora da festa. Vamos nos moldando mesmo é no treino diário. 


2015
2015
2014
2014
2013
2013

Comentários

  1. Muito legal o seu texto e principalmente a sua auto análise! A gente deveria fazer isso em toda nossa vida! Com ctza o seu crescimento foi muito grande e isso se deve ao seu comportamento, humildade, observação e ação! A gente tá sempre brincando , mas vc é um grande espelho pra mim e com ctza pra muitas mais pessoas que acreditam e dabem que podem mudar e evoluir, não só no triatlo, mas de forma geral!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Bah Maria! Pensei pensei e não consegui achar uma resposta à altura. Obrigado pelas palavras! Acho que todos nós temos qualidades que podem ser exemplo para os outros. É só termos a capacidade (e a humildade) de observar!
      Bons treinos aí para ti!

      Excluir
  2. Sempre inspirador ler seus relatos e sua evolução Milton. Parabéns colega.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Valeu grande parceiro de treinos! Vamos juntos na caminhada! Abração!

      Excluir
  3. piá... taca-le pau nesse Ironman... ta forte pra caramba... bora pra cima dos kilometros de prova e vencer cada um deles.... abcs e bons treinos...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Valeu Marlus... realmente tenho sentido uma evolução boa. Vamos ver o que acontece lá na frente. Tacale pau também em Lanzaroti. Vamos juntos até lá... nem tão juntos por causa das subidas. kkkkk
      Abração!

      Excluir
  4. Amigo, se queremos ser fortes, temos que andar com os fortes. Só assim seremos como eles.
    Vc é um atleta completo, e logo seus treinos diários se refletirão nos seus resultados.

    Abraço

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Exatamente Fábio! Acho que temos que nos juntar dos mais fortes para ficarmos mais fortes também. É o ciclo natural!
      Valeu, obrigado pelas palavras meu amigo!
      Abraço!

      Excluir

Postar um comentário

Deixe seu comentário, sua opinião, sua crítica, seu elogio, qualquer coisa... procuro responder sempre.

Postagens mais visitadas