Itaipu Ironman 70.3 Brasil Paraguay 2015 - Relato da Prova

Primeiramente queria mais uma vez pedir desculpas pela falta de atividade no blog. Realmente tem sobrado MUITO MUITO pouco tempo e tenho conseguido mexer pouco por aqui mas prometo que os fatos mais importantes tentarei sempre deixar registrado.

E falando em fato importante vamos ao relato de essa prova sensacional que é o Ironman 70.3 Foz do Iguaçu, ou Itaipu Ironman 70.3 Brasil Paraguay.

A prova já começa um pouco diferente, pois ela é num sábado e requer uma logística diferente. Fui com minha esposa para Foz na quinta-feira à noite e sexta foi o dia de pegar a bike com o amigo Kelvin que fez a gentileza de levar para mim. Peguei a bike já no momento que também peguei o kit. No estaciomento do evento testei a bike, arrumei os equipamentos e logo em seguida levei a "filhinha" para o lado paraguaio em um ônibus da organização do evento. As bikes passariam a noite ali para o tão esperado momento da largada no dia seguinte. 

Concentrado em algum momento pré largada...

Natação (32' - 1'39"/100m)
Saí bem cedo do hotel, pois fiquei hospedado do outro lado da cidade dentro do complexo das Cataratas do Iguaçu. Havia combinado com minha esposa de ela não ir até lá no começo da prova, pois a estrutura para familiares não é das melhores e não teria muito o que ver. Cheguei cedo, fui logo checar a bike, prender a sapatilha no pedal, conferir as sacolas e pronto. Vesti a roupa de borracha e fui aquecer na água. Estava incrivelmente tranquilo nesse momento, algo curioso, pois em geral é o momento que fico mais ansioso nas provas.

A largada da prova esse ano foi dentro da água e, diferentemente de Brasília, achei o espaço entre as bóias pequeno o que gerou bastante tumulto e "bateção". Mesmo com isso consegui largar um pouco mais na frente e não peguei muito tumulto. Ainda assim no início da prova levei uma paulada no rosto que chegou a mexer no meu óculos deixou entrar um pouco de água. Decidi tentar nadar mais um pouco para ver se iria continuar entrando ou se havia sido só na hora do impacto. Para minha sorte não entrou mais e não precisei parar para arrumar. Procurei analisar bem as bóias antes de largar e dessa vez, para minha surpresa, nadei a distância absolutamente correta (1,93Km). Havia muitas marolas na água, inclusive fazendo dar umas braçadas no ar ou engolir ãgua quando a marola vinha no lado da respiração. Do meio para frente da natação senti um pouco de dor no ombro direito e notei que perdi um pouco de força mas ali não era hora de #mimimi e resolvi tocar em frente fazendo o máximo de força que podia. Confesso que minha intenção era nadar em no máximo 30 minutos pela forma como vinham saindo meus treinos de natação, porém saí da água com um pouco menos de 32 minutos, passando no tapete com exatos 32'. Fiquei um pouco desapontado na hora mas fui em frente. A T1 é sempre o momento pior para mim já que não sou um grande nadador e muito menos um nadador de muita técnica. Chego da natação sempre com um cansaço acumulado e essa primeira transição não consigo fazer muito rápida. Nessa, para completar, minha roupa de borracha teimou em não entrar na sacola e consegui a façanha de fazer a T1 em incríveis 4 (!!!!) minutos! Chegada a hora de pedalar.

Ciclismo (02h46'45" - 34,7 Km/h)

Por tudo que havia sido falado sobre o trajeto eu estava louco para começar a pedalar. Realmente o trajeto é muito bonito e técnico, asfalto bom, muito vento e um pouco de subidas. Acho que caí na minha velha tática de me preparar para o pior e confesso que esperava mais subidas no caminho. Está longe de ser uma prova plana mas também está longe de ser uma prova com MUITAS subidas. O pior de tudo no ciclismo realmente foi o vento. Havia vento de todos os lados e com uma força muito grande. Em alguns pontos os cones simplesmente não paravam no lugar e o coitado do staff juntava e o vento derrubava. Logo no início do pedal lembrei do que o meu treinador Fábio Bronze falou (em outras palavras): "pedale forte mas tenha cuidado para não extrapolar o limite e sacrificar a corrida que também será dura". Procurei pedalar forte mas com uma certa dose de cuidado. Acho que estou adquirindo experiência para conseguir isso. Além desta questão também tomei MUITO cuidado para não ser confundido com "vaqueiros" do caminho. Por mais que essa prova eles sejam em menor quantidade, em função do trajeto, eles estão sempre lá. Em alguns momentos parei de pedalar e em outros tive que fazer tiros para escapar dos ciclistas que, ao contrário do que diz o regulamento, resolvem reagir à uma ultrapassagem ainda no meio dela. O trajeto era em três voltas de aproximadamente 30Km cada uma, porém no final das contas o percurso de bike ficou com 96Km o que causou um certo espanto em todos os competidores. Posteriormente no domingo o Carlos Galvão falou que as opções que tinham para a bike eram de 83Km ou 96Km em função do local do retorno e optaram então por 96Km. Pediu desculpas, pois deveriam ter avisado isso no simpósio técnico. Voltando ao ciclismo, ao completar a segunda volta tive a melhor surpresa do meu dia. Minha esposa, contrariando o que havíamos falado deu um jeito de ir para a usina de Itaipu sem eu saber e apareceu para torcer e gritar por mim. Aquilo foi uma injeção de ânimo incrível! Comecei a terceira volta com um baita sorriso estampado no rosto. Após os 70Km houve um pouco do cansaço natural nas pernas, mas nada que estivesse fora do planejado. Já dava para notar também que o sol e o calor estavam fortes, pois a largada da prova havia sido 9:30hs da manhã e já estávamos lá pelo meio do dia. Começava então a preocupação com a corrida.

Corrida (1h37'25" - 4'40"/km)


Cheguei na T2 com o cansaço natural de um pedal mas me sentindo bem. Também saiu uma transição mais demorada que o normal por ser uma T2 (2'). Ao começar a meia maratona novamente vi minha esposa e foi muito importante para ter forças de encarar aquele clima quente e ensolarado que enfrentaria nos próximos 21Km. Comecei a correr me sentindo bem e logo o pace se ajustou para algo perto de 4'35"/4'40" o que estava sendo algo sustentável para a distância proposta. Segui forçando o que dava mesmo nas subidas e descidas do trajeto. Sentia que estava bem e sem perder rendimento. O trajeto não é em voltas, sendo um caminho de ida e volta em 10,5Km. Acho um trajeto assim muito menos desgastante em termos psicológicos do que três voltas de 7Km, por exemplo. Segui nesse mesmo ritmo ao longo do belíssimo trajeto até que fizesse o retorno nas impressionantes turbinas da usima. No retorno continuei sem perder rendimento sempre cuidando com a alimentação (gel) e hidratação. Em função do calor, em todos os postos pegava dois copos de água. Um tomava na hora e o outro levava para um ou dois quilômetros adiante. Foi perfeito pois não senti sede ou qualquer sinal de desidratação em qualquer lugar da prova. Dos dois terços para frente da prova entramos no "ponto crítico" da prova. Vou ao final para retornar aqui em seguida (próximo parágrafo). Cheguei da corrida já bastante cansado mas sabendo que havia feito uma ótima prova dentro do que eu pretendia, inclusive teria feito um tempo próximo ao de Brasília se o trajeto tivesse ficado com 90Km, mesmo Foz sendo uma prova bem mais difícil que Brasília. Cheguei com a sensação de ter realizado uma prova praticamente como eu gostaria, talvez tendo que corrigir algumas coisas das transições e da natação. Ao terminar aproveitei que as macas da fisioterapia ainda estavam com vagas livres e fui direto fazer uma massagem. Logo em seguida fiquei um bom tempo com minha esposa e conversando com amigos enquanto me hidratava e comia. Depois disso peguei minha medalha, camiseta, etc. e partimos para o hotel. A felicidade era bem grande com o resultado da prova, especialmente quando fiquei sabendo que havia ficado em 15o lugar na categoria e em 45o lugar dentre todos os participantes. Isso para mim era algo inimaginável até bem pouco tempo atrás, afinal comecei no triathlon de longa distância em 2013 aos 35 anos. 

Voltemos então ao "ponto crítico". Quando vi a posição que tinha terminado fui analisar a quantidade de vagas que seriam distribuídas para o campeonato mundial de Ironman 70.3 que ocorrerá na Austrália em 2016. Na minha categoria seriam 6 e o evento da rolagem dessas vagas seria domingo 9hs da manhã. Pensei comigo que, apesar de ser muito difícil as vagas chegarem até a minha posição, não custava ir lá conferir. Domingo estava eu lá pela primeira vez em um evento de rolagem de vagas. Ao chegar na minha categoria eis que as vagas foram rolando, rolando e... o último que pegou foi exatamente meu amigo Edson Maisonnette que havia chegado logo à minha frente (4 segundos mais precisamente) na 14a colocação. Fiquei muito feliz por ele mas confesso que foi um balde de água fria para mim. Ficar tão tão perto da vaga e vê-la escapar assim é um aprendizado doloroso e uma mistura de sensações. A sensação de ter feito uma prova muito boa, porém ter deixado escapar por pouco a oportunidade dos sonhos de qualquer triatleta de longas distâncias. Disputar um campeonato mundial da franquia Ironman. O pior de tudo foi pelas condições que perdi essa colocação. Quando estava já no final da meia maratona comecei a olhar para trás e vi que o competidor mais atrás estava ainda distante e segui no meu ritmo. Notei uma aproximação maior mais perto do final até que dois competidores me passaram (um deles o Edson). Isso já era a metros do fim e dei um sprint para alcançar os dois quando então este terceiro acelerou bastante e o Edson foi atrás. Nessa hora decidi não tentar acompanhar já em função do cansaço, porém jamais imaginava que eu poderia estar disputando ali uma vaga no mundial e esse foi meu maior erro. Talvez eu tenha corrido ainda com a cabeça de competir somente comigo mesmo e naquela hora eu deveria ter competido comigo e com eles, pois aquilo poderia significar (e significou) a realização ou não de um sonho. Neste ponto só posso parabenizar meu amigo Edson porque ele soube como ninguém acreditar na vaga até o final. Ele saiu de uma posição acima de 100 quando entregou a bike para a posição 44 após os 21Km. Ele realmente colocou a faca entre os dentes e acreditou que poderia buscar a vaga para o mundial ALI. Eu não imaginava que estivesse tão perto e não tive essa "gana" que ele teve. Só me resta aprender de uma forma dolorida com esse episódio mas ao mesmo tempo parabenizá-lo pela grande conduta na prova!

E assim terminou o Itaipu Ironman 70.3 Brasil Paraguay, uma prova muito dura mas linda e que certamente vai ficar na minha memória por vários motivos e por muitos e muitos anos!
Nesse não fui desclassificado. :-)

Mais uma vez agradeço imensamente todos envolvidos na minha possibilidade de disputar esse tipo de prova e praticar esse esporte. Meu treinador Fábio Bronze, meu treinador de natação Ricardo, instrutora de Pilates Luciana, fisioterapeuta Milena, todos os meus amigos e parceiros de treino por tantos e tantos minutos juntos, grandes amigos que fiz pelas redes sociais e que estão sempre comigo antes e depois dos treinos, minha família pela paciência das minhas ausências e claro, minha esposa Kelly que desde o início fez questão de incentivar e estar comigo em todas as provas, por mais difícil que isso possa ser em alguns casos.

Agora é fazer uma pequena pausa de uns dias e então começar a pensar no Challenge Florianópolis em novembro. E assim a vida segue! 


Em breve faço um post com algumas fotos da prova. 

Comentários

  1. Aêêêê, parabéns!
    Você tá demais, amigão. Pode ter certeza que logo logo você estará dentro do índice pro mundial!
    Grande abraço,
    Dani.
    Blog Dani Corredora

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Valeu Dani muito obrigado!! Espero chegar lá um dia. Bjs

      Excluir
  2. Olha, Milton...não é todo mundo que pode dizer que a vaga escapou por 4 segundos! ARRASOU!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Valeu guria!! Pois é... foi por pouco mas eu ainda pego essa maldita! Kkkk
      Bjs

      Excluir
  3. Que provaço cara !!!! Parabéns !!!!! Show, agora vou ter que ir ano que vem hahahahaa Muito massa o lugar.

    Relaxa sobre a vaga. Quanto à competição: apesar de ser com a gente, não tem como não ser comparativa. Então uma boa é buscar sempre melhorar a geral, independente da categoria (que não temos como saber na hora da prova)... mirar num e ir buscar, só pra manter o foco... Mas relaxa. Tem prova todo ano, ano que vem e até nesse tem provas pra classificar pra esse mundial por todo lado ainda... o mais importante pra mim é essa colocação geral aí, ANIMALESCA !!!!

    Abraço e foca no Challenge hehehehe
    Parabéns de novo.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Vamos lá Pina... se ano que vem o calendário bater estarei lá de novo. E te digo... tu pegaria essa vaga se estivesse lá. É uma prova dura e nem todo mundo está pronto para ela. Valeu pelas palavras meu amigo! Abração!

      Excluir
    2. Foz tá no calendário ano que vem, agora é ver no que vai dar o 70.3 do RJ e depois brincar na indomit hahahaha. Se sobrar pernas TALVEZ me inscreva no challenge heheheh

      Abraço !

      Excluir
    3. Se bobear já pega a vaga no Rio mesmo! Kkkk. Challenge estarei lá... e se bobear mesmo tu com uma perna só me ganha! Kkkk.
      Abraço!

      Excluir
  4. Parabéns, Miltones...
    Grande prova!!!
    Apavorou!!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Valeu meu amigo!! Foi bom te ver lá! Parabéns pela tua prova também! Abraço!

      Excluir
  5. E ai amigo, quanto tempo que não nos falamos hein, só agora li seu relato, e que prova hein, por pouco não pegou a vaga, mas pelo pouco tempo que tu tem de triathlon isso é só o começo, logo tu chega lá. Parabéns amigo e nos vemos nos Challenge, vc dentro e eu fora, pois não me inscrevi rs.

    Abraço

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Fala Fábio... pois é cara... andei com uma falta de tempo animalesca e até o blog andou de lado mas agora estou me rearrumando! A vaga foi por pouco e logo ela virá certeza!
      Ei... ainda tem vaga para o Challenge, bora lá!! Nos falamos logo por aí! Abraço!

      Excluir
  6. Oi Milton, parabéns pela prova e pelo relato. O outro competidor que você cita sou eu.
    Como não sou da mesma categoria de vocês, fico muito a vontade para comentar. Realmente foram nos metros finais que eu e teu amigo te passamos. Como você mesmo relata, fiz um sprint bem forte e, sem dúvida, foi um final de prova duro.
    Uma pena você não ter conseguido a vaga para o mundial, mas fica a experiência e a vontade de querer melhorar ainda mais...

    Abraço.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Opa Guilherme... que surpresa tu ter encontrado esse post aqui e ter comentado! Muito legal. Então... faltando uns 2Km para o final vi vocês bem ao longe e me mantive no meu ritmo. Logo vocês me passaram. Fui atrás num primeiro ataque mas no segundo não fui... realmente vocês puxaram forte. Com certeza esse eposódio foi uma grande lição que só vai me fazer melhorar. Parabéns pela prova e obrigado por ter vindo até aqui! Abraço!

      Excluir

Postar um comentário

Deixe seu comentário, sua opinião, sua crítica, seu elogio, qualquer coisa... procuro responder sempre.

Postagens mais visitadas