Alguns momentos são solitários... e necessários...

O triathlon é um esporte individual, porém não é solitário. Temos em geral um grande apoio de pessoas próximas, temos vários e vários treinos coletivos de ciclismo, corrida e normalmente uma piscina cheia durante os tantos treinos de natação.

Mesmo contando com tantas pessoas e fazendo muitos treinos coletivos, alguns necessitamos fazer sozinhos. São neles que melhor identificamos nossas fraquezas, nossos ritmos e nossos pontos fortes. Acima de tudo um treino solitário, especialmente longo, é um treino para a cabeça mais do que para o corpo.

Como tenho algumas restrições de horários já possuo um certo hábito da fazer vários treinos sozinho, entretando alguns deles são mais marcantes.

Um pouco antes do Challenge Florianópolis de 2015 eu precisei adaptar um horário do longo de ciclismo do final de semana. Era um longo de 110Km de bike. Para não fazer trajetos muito repetitivos na região - que inclusive eu já fizera algumas vezes nos outros longos de 100km/110Km - decidi conversar com meu treinador para fazer um trajeto muito comum aqui nos arredores em ciclos de Ironman. Trata-se da Colônia Witmarsim, uma região de colônia distante aproximadamente 60Km de Curitiba. Estradinha vicinal, cheiro de pasto (para não dizer outra coisa) e, o melhor de tudo, doces/salgados maravilhosos e coloniais no meio do caminho, exatamente no ponto de parada onde abastecemos a água.

Acordei bem cedo no dia e parti para a colônia. Como de praxe em Curitiba, clima ameno mesmo nessa época e com bastante neblina. Saí logo ao amanhecer e fui. Fiz meu ritmo, segui sozinho durante todo treino. Durante a subida da serra de São Luiz do Purunã uma neblina forte tomou conta do cenário junto com um pouco mais de frio. Nesses pontos onde mal se enxerga o que está 100m na frente é que sempre pensamos no que estamos fazendo. E nessa hora também a resposta surge rapidamente na cabeça. "Fazendo o que gosto e que será importante lá na frente". Logo isso passa e continuamos no cenário rumo à colônia. Depois de mais alguns quilômetros era hora de sair do acostamento da BR movimentada para começar a pedalar em estradas menores. Por fim, a placa anuncia a saída para Witmarsum e a estradinha interiorana nos faz pedalar contemplando cada metro do caminho.

8:30hs da manhã chego no café colonial. Mais perto do meio-dia é sempre um local cheio de vida e gente. Nesse horário apenas um casal tirava umas fotos no pátio da frente enquanto os garçons ainda limpavam as mesas externas. Sem ter a certeza pergunto se já estava aberto e a atendente prontamente me responde "sim, abrimos 8hs". Comi rapidamente algo, comprei água, tomei um suco, fui ao banheiro e já era hora de partir. Quando estamos sozinhos os "intervalos" costumam ser menores, pois não há com quem conversar ou quem esperar. No retorno um pouco mais de vento e aquela sensação que estamos BEM longe de casa só nos fazem focar no treino e pensar em chegar, concluir o que saímos cedo para fazer. 

Quase chegando na melhor parte do trajeto
Confeitaria Kliewer
No fim, após mais de 4hs e 126Km completamente sozinho na estrada a sensação é de que esse era o treino que eu precisava para fechar aquele ciclo tão legal e importante que foi o do Challenge Florianópolis. Além de tudo a certeza de que EU preciso alguns treinos assim. Duros e solitários.

Comentários

  1. Agora foco no Ironman amigo, feliz ano novo pra vc e pra sua familia. abs

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    1. Isso aí garoto! E vamos nos falar lá né com certeza! Forte abraço. Valeu, feliz ano novo para vocês também na cidade nova.

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  2. Quando comecei a correr achava chato treinar sozinha, mas depois de um tempo, por questões de horário ou falta de companhia, tive que me habituar a treinar só, e olha que tem dias que prefiro correr só, faço meu ritmo, meu tempo!
    Beijo,
    Dani.

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    1. Exatamente Dani. É muito bom o grupo e é importante, mas temos que ter nossos momentos solitários também.
      Bjs
      Milton

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