Um pouco sobre amor, evolução e dedicação

Quem me acompanha por aqui ou nas redes sociais sabe um pouco da minha história. Não tenho nem nunca tive uma veia atlética. Apesar de ter sido magro durante toda minha infância e juventude, nunca me envolvi seriamente com qualquer esporte. Nunca aprendi algum esporte desde cedo, nunca carreguei aquela carga fisiológica desde pequeno. 

Curiosamente o destino (com a ajuda de alguns amigos) tratou de me mostrar o triathlon quando eu tinha já 35 anos de idade. Não nego e jamais negaria que foi um caso de amor às primeiras braçadas, pedaladas e corridas. É realmente um esporte fascinante e que é difícil não nos envolvermos com uma grande intensidade. 

Fiz minha primeira prova, ainda sem treinador, em abril de 2012. Lembro como se fosse hoje, era a versão "Short" do Long Distance que acontecia aqui no litoral do Paraná. Enquanto a maioria dos atletas fazia uma prova de preparação para o Ironman de Florianópolis que ocorreria dali a um mês, eu fazia minha estreia "oficial" no esporte. Uma bike de estrada, um capacete comprado por 30 reais na Decathlon, ainda me sentindo um peixe fora d'água, enfim. Lá eu alinhei junto de mais alguns atletas que optaram por essa distância curta, qualquer que tenha sido o motivo de cada um por essa opção. 

Larguei e, para minha sorte, como nunca tive medo do mar nadei dentro das minhas capacidades mas me sentindo seguro sempre. Quando saí da natação lembro que o amigo Kelvin, que aliás foi quem me incentivou a comprar uma bicicleta e que me ensinou a trocar os primeiros pneus nela, estava lá, pois pedalaria na prova longa. Cheguei para transição e sem pressa saí para pedalar. O tempo estava nublado, pedalei sozinho tentando fazer o máximo de força que podia. Não lembro qual foi minha média de velocidade naqueles 20Km. Sinceramente, pouco me importava e me importa até hoje. Cheguei para correr. Lembro que a maioria dos outros atletas, como é normal em provas curtas, fazia transições voando, em questão de segundos. Já eu, bom eu vivia no meu mundo. Sentei no chão, coloquei minhas meias "soquete", calcei meu tênis e então saí para correr. Era um macaquinho emprestado de outro amigo, meu padrinho no esporte Fábio Caldeira. Terminei a prova. Era o que eu queria. O tempo, algo um pouco acima de 1h20' pelo que me recordo. Não costumo falar muito em tempo nos meus posts, seja aqui ou especialmente nas redes sociais. Tempo é algo muito pessoal, depende de cada um, ademais depende também das condições do dia, da aferição das distâncias, etc. Mas tomo esse tempo como uma breve referência do que passou a vir a seguir.

Assim eu comecei (minha segunda prova no PR, infelizmente não tenho foto da primeira)
Dali para frente comecei a perceber que começava então um processo de formação de um (tri)atleta. Algo muito insipiente no início mas que foi tomando forma e que hoje, quatro anos depois chegou em um ponto onde posso dizer: eu me tornei um triatleta, não por profissão, não por obrigação, não por resultados. Simplesmente por amor a esse esporte. 

Dash Triathlon 113 Floripa 2013
E o caminho até hoje, como foi? Altos e baixos sem dúvidas, uma mudança de rotina tremenda e que se não fosse o apoio incondicional que tenho em casa, da minha esposa e agora já do meu filho que está por nascer e vive chutando a mamãe, eu jamais teria chegado onde cheguei, sendo feliz com esse esporte. 


Ironman 70.3 Brasília 2014
Depois dessa prova decidi me inscrever para o Ironman Brasil do ano seguinte e comecei a treinar com meu atual treinador e assessoria. Comecei a levar esse esporte a sério e, se tem uma coisa que faço é levar os treinos a sério. Não porque me sinta obrigado mas porque eu GOSTO de treinar e, acima de tudo, eu PRECISO treinar praticamente todos os dias. É isso que me dá forças para ser o homem que sou em casa, no trabalho, etc. Todos nós temos nossos problemas seja qual for a esfera. E é nesses treinos e nessas provas que deixo todos os meus problemas de lado e, além do mais os faço jogarem a meu favor. É o esporte que me me ensinou que os caminhos nem sempre são os mais fáceis, os mais limpos, os mais tranquilos mas que com um certa dose de dedicação podemos superá-los. 

IM 70.3 Brasília 2015
Ironman Brasil 2015
Ironman 70.3 Foz do Iguaçu 2015
Hoje treino diariamente, completei duas maratonas, algumas provas de triathlon em distâncias mais curtas além de cinco meio Ironman e dois Ironman. Para, primeiramente aquele magrelo que tinha que comer a força para ganhar peso na infância e depois para aquele gordinho que o magrelo se tornou quando adulto, isso tudo parecia inconcebível. Hoje essas provas não representam que sou melhor que ninguém. Não me acho superior a qualquer um por ter feito isso que fiz. Foram simplesmente escolhas minhas. Cada um tem as suas, os seus limites, os seus desejos, as suas metas. A certeza que eu tenho é que hoje, tendo conquistado isso que escolhi, eu me tornei acima de tudo melhor do que eu era tempos atrás. Tenho procurado (e acho que conseguido) me tornar melhor como atleta e consequentemente como homem. Não estou, e dificilmente estarei, entre os melhores amadores do esporte que escolhi, porém sei que serei melhor do que eu fui naquele abril de 2012. Como cheguei a essa conclusão? Porque aprendi que quando treinamos um esporte que amamos esse é o caminho: dedicação e evolução.


SESC Triathlon Caiobá 2016

Comentários

  1. Massa Miltão! Sucesso em mais essas duas missões que resumirão o seu ano: ser pai e IM2016! Abs!

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    1. Valeu garoto!! #tamojunto por aqui de novo nos treinos!

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  2. Duca !!!

    Estás já entre os melhores amadores: em várias esferas, não só nos resultados, estão os melhores.

    Muito massas. E parabéns antecipado pelo filhote que já vai nascer dentro do esporte.

    Abraço !

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    1. Valeu Pina... obrigado. Tu sabe que é um cara que me espelho. Tá passando o tempo e ficando melhor. É minha esperança! :-)
      Obrigado pelos parabéns! Espero que seja assim e que ele goste disso desde pequeno e não só depois de velho como eu. Kkk
      Abraço!

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  3. Não preciso dizer, mais sabe que te admiro muito. Abrços

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    1. Valeu meu amigo, muito obrigado!! Abraço!

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  4. Milton,
    você é o triatleta amador mais profissional e dedicado que eu conheço. Sou sua fã não só por isso, mas também pelo cara humilde que sei que você é!
    Beijo,
    Dani.

    Blog Dani Corredora

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    1. Dani, fiquei até sem palavras sobre teu comentário. Muito obrigado! De verdade!
      Bjs

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  5. Só mais uma coisa, as fotos em Brasília são as mais bonitas!
    Rs...

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    1. De fato Brasília foi demais! Uma pena a prova ter saído daí!

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  6. Isso é o que eu chamo de Triathlon Lifestyle. As pessoas me perguntam quando eu vou parar, como vou parar se esse é meu estilo de vida? E tu é o cara mais dedicado que eu conheço, merece estar onde está.

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    1. É bem isso, Fábio. Estilo de vida! Valeu garoto! Obrigado pelas palavras! Logo nos falamos em Floripa! Abraço!

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