Challenge Sunset - Itaipu Binacional 2017 - Relato da prova

Lá vamos nós para mais um relato de prova, desta vez o Challenge Sunset em Foz do Iguaçu. Que prova!! 

Quem me conhece sabe que sou fã das provas Challenge há algum tempo, especialmente pelo clima mais familiar que envolve essas provas. Itaipu depois de alguns anos sediando prova da franqua Ironman agora recebeu o Challenge em uma situação muito peculiar. Uma prova que largou à tarde e terminou à noite, o que proporcionaria uma visão incrível do pôr do sol durante o pedal. Quando recebi o convite do Challenge para fazer essa etapa eu não pensei duas vezes, talvez nem uma.

Pré prova

Cheguei em Foz do Iguaçu na quinta-feira já quase no meio da tarde. Como meu hotel não era muito perto da usina decidi almoçar e logo ir pegar o kit para já não ter que voltar lá ainda na quinta-feira mais tarde. Feito isso e com o cansaço do dia, nada mais a fazer em termos de treinos e prova. Na sexta tinha que testar a bike mas acabei praticamente fazendo isso na frente do hotel somente, sem um pedal propriamente dito e somente teste da bike mesmo. O cansaço e o calor estavam grandes demais e optei por fazer desta maneira, até porque o bike checkin em Itaipu é bastante demorado, pois a bike vai para o lado paraguaio e é necessário pegar um ônibus da organização tanto para ir quanto para voltar. Mais o tempo de deslocamento do hotel até Itaipu, lá se foram algumas horas do dia consumidas por isso.

Tudo pronto, bike entregue e sacolas arrumadas. Vamos ao dia da prova.

Natação

Fazer uma prova de distância half largando logo depois das 15hs é algo bem diferente da nossa realidade. Quando essa realidade é a de Foz do Iguaçu então isso toma outra dimensão. No dia da prova havia um vento absurdo desde cedo já e que com o passar das horas só aumentou. O calor e o clima seco estavam castigando ainda mais todos os atletas antes da largada (temperatura bateu nos 35 graus). O que todo mundo queria era entrar naquela água para poder nadar de uma vez. A largada em Foz se dá dentro da água e na hora dos amadores nos posicionamos próximo às boias. Procurei um lugar bom para mim, porém depois de um grande grupo ter "queimado" a largada todos tiveram que voltar para a posição atrás das bóias e isso gerou uma certa confusão entre os atletas. Por conta desse episódio acabei não largando como gostaria mas depois consegui encaixar um ritmo, porém notei que estava relativamente difícil nadar e, mais ainda, localizar as boias, pois apesar de não ser no mar o vento trouxe ondas altas que estavam complicando a etapa da natação. Nadei uma boa parte do tempo sozinho e por alguns momentos tentando pegar uma esteira de um atleta à minha frente. Na penúltima perna a navegação estava bastante complicada e na última me senti nadando naquelas piscinas de natação estacionária de tanto que não saía do lugar. Para minha sorte eu respiro para o lado esquerdo e pude terminar sem mudar minha respiração. Quem costuma respirar para o lado direito certamente teve que mudar o lado nessa última perna ou engoliria metade da água da usina com as ondas na cara.
Saí da água com 34', um tempo alto mas que, tendo em vista as condições e também depois o tempo mais alto de várias pessoas, não foi algo comprometedor.

Ciclismo

Feita a natação tentei pegar um pouco de água na T1 mas o calor era tão grande que já estava quente. Ao chegar na bike e começar a pedalar, para minha surpresa a água e o R4 que levei congelados também já estavam quentes tendo que ser descartados de imediato. Isso fez com que eu tivesse que pedalar até o 15Km (primeiro ponto de hidratação) sem água. Cheguei lá já com a boca extremamente seca e com o corpo também seco, pois mesmo eu que transpiro bastante simplesmente não transpirava em função da baixa umidade do ar. Tudo bem, Foz é uma prova dura e todo mundo sabe. Eu não lembrava que era tão dura mas no decorrer da prova deu para ir relembrando. Senti uma certa dificuldade de encaixar um ritmo no início do ciclismo mas depois da metade dos 90Km, apesar de uma potência mais baixa que eu imaginava, passei vários atletas ganhando muitas posições. O pedal foi encaixando e consegui manter algo bastante consistente na distância dos 90Km com aquelas condições climáticas. Diferentemente do Iron de 2015 que fiz a prova ainda na franquia Ironman e foram 96Km de ciclismo, nesta a distância ficou em 89Km (margem aceitável). Foi minha segunda prova usando uma roda fechada na bike e posso dizer que foi a primeira que realmente levei alguns "cagaços" com ela. Na hora de ventos laterais em áreas muito abertas por várias vezes a bike quase saiu debaixo de mim mas procurei ficar atento e segurar firme a "Negrinha do Pastoreio" para que eu não acabasse com minha prova. Boca seca ali, potência um pouco abaixo lá, força contra o vento acolá e assim fomos completando o ciclismo.
Próximo do final do ciclismo tive uma imagem que jamais na minha vida vou esquecer. Pedalando dentro de Itaipu - algo que já é fantástico por si só - com aquelas paredes de concreto e de pedra que compõe uma das maravilhas modernas do mundo, olho para o horizonte vejo uma bola enorme e vermelha (ou laranja, sou daltônico então isso não vem ao caso) quase sumindo em meio àquelas estruturas. Foi indescritível e fez valer o nome da prova. Challenge Sunset.
 
Sofrendo na subida...

E tentando tirar a diferença na descida... 

Corrida

Cheguei do ciclismo ainda dia. Entreguei a bike e parti logo para a corrida já com o dia começando a virar noite. Em 2015 a corrida era em volta única (ida e retorno) de 10,5Km chegando até as turbinas da usina. Esse ano, creio eu que por conta da necessidade de iluminação, a organização optou por um trajeto em três voltas de 7Km. No início torci no nariz para esse trajeto, pois a corrida de 2015 foi sensacional. Para minha sorte a volta de 7Km tinha uma varição de terreno que fez o tempo passar mais rápido. Por mais "repetitivo" que isso possa ser algo fez com que para mim aquele dia funcionasse. Eu vinha com um certo "trauma" das minhas corridas ultimamente nas provas, pois vinha sempre sofrendo muito depois da metade da meia maratona e/ou maratona. Saí para correr me sentindo bem, o ritmo ficou encaixado dentro do que eu esperava (pela dificuldade do trajeto) e até melhorando um pouco conforme o tempo passou ganhando mais posições. Isso foi aumentando minha confiança e eu só lembrava que essa vez não iria perder posições no final da prova como ocorreu em 2015. Tratei de me concentrar e no retorno da última volta apertei um pouco o ritmo e decidi que ali ninguém mais iria me passar. Deu certo e o que eu me propus a fazer eu consegui.

A hora que vi um fantasma... 

A hora que corri do fantasma... 

Término de prova em 4h48' para um trajeto bastante duro e o sexto lugar na categoria (19o geral). Foi minha melhor posição em provas e, ao que tudo indica, com o direito de participar (6 primeiros de cada categoria) do The Championship, campeonato mundial da série Challenge que ocorrerá em 03/06/2018 na Eslováquia. Ficamos no aguardo do e-mail de confirmação.

Essa é sem dúvida uma prova especial que ficará no meu coração para sempre, seja pela colocação, seja pelo sofrimento ou seja pela paisagem. Absolutamente inesquecível. 

Duríssima, lindíssima...   essa foi a prova!
Foto: Mundo Tri

Agradeço imensamente meus apoios que sempre estão comigo ao longo dos treinos e nas provas, minha equipe, meus amigos e meu treinador, além claro em especial minha família que me dá todo apoio e suporte tanto nos treinos quanto nas provas.


Agora nos vemos em Floripa no Challenge Florianópolis no início de dezembro.

Comentários

  1. Altos relato, parece que estava lá junto! Parabéns, milio! Pra variar vc arrasou mais uma vez. Muito feliz pela sua colocação e pela possibilidade de ir pra Eslovaquia rs

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    1. Valeu Bruna!! Obrigado, leitora rica e fiel!! Kkkkkk.
      Eslováquia não é Alemanha né? Cada um vai para onde seu dinheiro pode levar. Ryca! Kkkk

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  2. Respostas
    1. Vamo que vamo guria!! E esse e-mail do Challenge Family que não chega! Kkk

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